
O filme A Vida é Bela é a história de um pai que transforma horror em esperança com uma sensibilidade única.
Existem tantos filmes sobre a Segunda Guerra que fica uma sensação de que tudo ou quase tudo já foi visto. Com isso fica difícil criar algo original. Mas, o diretor e ator Roberto Benigni conseguiu se superar.
Em duas partes com climas opostos, o filme A Vida é Bela consegue ser envolvente nas duas. Para isso, combina comédia, drama e tragédia histórica. Começa com uma aventura de dois interioranos, Guido (o próprio Roberto Benigni) e seu primo poeta, pela cidade grande; passa pelo contesto de avanço das ideias fascistas e as descobertas na prática do que isso significava; terminando com a presença nazista na Itália e suas consequências para a população judia.
Em meio a isso, uma história de amor entre o personagem principal e Dora, uma moça da alta sociedade, somada a existência de uma criança, central na trama. A primeira metade do filme é leve, mostrando os encontros dos dois, os flertes, envoltos nas presepadas de Guido, com seu jeito alegre e cativante. O ponto culminante aí é o enlace dos dois e o nascimento de Josué, uma criança igualmente adorável como o pai.


Já a segunda parte se torna repentinamente tensa. A trilha sonora é fundamental nesse ponto, dando leves giros, como que avisos, até de repente se tornar sombria e melancólica. Vem o momento da dura realidade da Guerra e as consequências do antissemitismo nazi-fascista. A Itália fraca passa a ser controlada pelos alemãs, que então se tornam defensores de parte do país contra as investidas dos Aliados.
Esse é o momento do sofrimento e da dureza, da descorta do lado sombrio que envolve os campos de concentração. Poderia ser só isso, terminando o filme de forma triste e previsível. Mas não. Um pai amável passa a fazer de tudo para proteger seu filho dos horrores que o cercam. Cria mundos imaginários, histórias fantásticas em meio ao terror, num “jogo em que quem fizer mais pontos ganha o grande prêmio”, que Josué espera com ansiedade que seja um “novo tanque”, presente do aniversário interrompido.
O terror estava lá, mas como lidar com isso? Fica evidente que o protagonista escolheu o otimismo como estratégia de sobrevivência psicológica. Assim como fica evidente também a crítica implícita do filme ao horror do nazismo através da inocência infantil. Josué não consegue entender o que acontece de fato, ainda que em alguns momentos questione o pai. Mas, esse é insistente em sua tática, levando o filho a viver os dias de forma mais leve possível.
Eu acho que já dei muitos spoilers até aqui, né? Mas vale acrescentar que mesmo nos momentos mais duros, Guido continua com sua “fantasia”. Isso ele faz até o final…
Bom, antes que eu estrague todo o filme, só quero complementar dizendo que ele vale muito a pena ser assistido. Já vi umas 52 vezes e sempre assisto com meus alunos, que com muita frequência também adoram. Eu, da minha parte, nunca enjoo de revê-lo.
Por isso, acho merecidíssimo que o filme A Vida é Bela (La vita è bella) tenha ganhado 3 Oscars em 1999. Roberto Benigni ganhou como Melhor Ator; somando ainda os prêmios de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Trilha Sonora Original, que ficou sob responsabilidade de Nicola Piovani.
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Livro O holocausto: História dos judeus na europa na Segunda Guerra Mundial



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